Prates: - O desejo de contar com minha voz cinematográfica o que Antônio Rodrigues me contava jogando pôquer.

Carlos Alberto Prates Correia

Diretor, roteirista e produtor, natural de Montes Claros-MG.

Formado em Sociologia e Política pela UFMG.

Campeão de pingue-pongue.

 

Nos anos 60, foi cineclubista e crítico, professor de cinema, trabalhou como continuísta em
O Padre e a Moça (1965) e realizou o 1º curta-metragem sonoro, de ficção, rodado em Belo Horizonte (O Milagre de Lourdes, 65-66), dirigiu um episódio de Os Marginais (67-68), produzido pela Columbia Pictures, e atuou como diretor-assistente de Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade.

 

No início dos anos 70 recebeu financiamento do BDMG para realizar Crioulo Doido (o 1º longa), exerceu as atividades de diretor de produção e produtor executivo de filmes do Cinema Novo e foi coautor de um método de acertar na loteria esportiva razoavelmente bem sucedido. 

1975 - Perdida (produção da Mapa Filmes) - Filme proibido e a seguir liberado pela Censura com 10 minutos de cortes na imagem e 30 palavras raspadas no som.  

 

1976 - Festival de Gramado - Após a proibição ele foi excluído da seleção oficial e exibido em sessão paralela com forte repercussão.

 

1978 - Bem atrás da Câmera - Ensaio de montagem do Cabaret. Curta-metragem.

 

1979 - Cabaret Mineiro -
7 prêmios em Gramado, inclusive de melhor filme e diretor.

 

Antes e depois de Noites do Sertão, à espera de financiamentos para suas realizações seguintes, coordenou a produção e atuou como produtor executivo de mais dois filmes de seus companheiros.

 

1983 - Noites do Sertão - Baseado na novela Buriti de Guimarães Rosa. 23 prêmios (inclusive de melhor filme) em festivais do Brasil, como Gramado e Brasília, e no exterior.

1989 - Minas Texas - Sem exibição nas salas devido à extinção da Embrafilme. Premiado em Brasília e no Fest-Rio, o realizador considera o filme sua principal realização.

Retrospectiva na Cinemateca Francesa.

 

Depois de 17 anos de afastamento retornou à atividade cinematográfica em suas funções habituais e pela 1ª vez como montador:

 

2006 - Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais, semidocumentário - Melhor filme e montagem no Festival de Gramado.

 

2007 - Recuperação e reedição do acervo da Sertaneja de Cinema.

 

2008 - Retrospectiva no Forumdoc.bh.

 

2012 - Retrospectiva no BAFICI (Buenos Aires).

 

2013 - Terra de Grande Beleza Projeto aprovado pelo Fundo Setorial da Ancine.

Retrospectiva na Mostra do Filme Livre (Rio, São Paulo e Brasília).

Participações especiais: Quando, na infância, Prates descobriu que o cinema não era feito apenas pelos atores que ele via no Cine São Luiz, tomou a decisão de participar do processo e se localizar do outro lado, bem atrás da câmera. Apesar disso, cedeu a impulsos narcísicos e ocupou na tela alguns espaços, inclusive cantando e dançando. Já foi guerrilheiro de direita (Jardim de Guerra), assassino de poetas (Perdida), mas a sua cena antológica está em Aleluia, numa boate de BH, cravando os olhos na provocadora Helena Ignez – em composição do cineasta Schubert que remete imediatamente a Stroheim (Greed).

Cenas da vida brasileira (o avô de Carlos Prates)

  ... Estes são três montes-clarenses. Há outros. O maior de todos - Juca Prates.

  Juca Prates gerou o jucapratismo.

  Jucapratismo é isto: como a luz continua fraca, para se andar nas ruas em noites sem luar é necessário um sentido que evite os altos e baixos do calçamento, as valetas, os tocos para amarrar cavalos - e Juca Prates tem este sentido.

  O jucapratismo comporta ainda outras virtudes de Juca Prates: saber o nome e a história de todos os montes-clarenses pelo menos de três gerações, ter ciência das rendas mensais da coletoria e do foro; saber quantos telegramas o telégrafo passou num dia, quantos quartos vazios há no hotel de seu Romano (que é filho de Sete Lagoas) etc etc.

  Como chefe do recenseamento, seu Juca acha que ganha demais - para Montes Claros trabalharia até pagando.

  - Quantos bois passaram por aqui neste inverno, Juca Prates?

  - 250.000 (foram 125.000 no máximo).

  - E quantos habitantes tem a cidade?

  A voz grossa responde:

  - 30.000 (tem 15.000 no máximo).

  E Juca Prates não mente. Dentro dele Montes Claros tem 30.000 habitantes e ele mesmo se perde na Babilônia que é o Hotel São José, de 80 quartos. Dentro dele o cabaré do Sinval ferve todas as noites como um night-club da Broadway. Porque dentro dele existe uma Montes Claros que nós não vemos, mas que ele vê e, com a sua grande alma, ama com o mais férvido amor.

 

Marques Rebelo, 1941

À direita, Juca Prates